COMO UMA FADA O ARTISTA É AQUELE QUE RECEBE O DOM DE TOCAR E TRANSFORMAR...

domingo, 27 de abril de 2014


OBRAS DE ANITA MALFATTI

O TOUREIRO

VIRGEM DE SÃO JOÃO
 HORTÊCIA
 ESTUDANTE RUSSA

BAILARINA
BURRINHO CORRENDO
CAIPIRA DECLAMANDO
CASAL CAIPIRA
CASAL COM VIOLÃO

DAMA DE AZUL


O JAPONÊS
GEORGINA
HOMEM COM BURRINHO
LA RENTRÉE
COSTUREIRAS

MENINA
O BATIZADO
A SANTA CEIA
FESTA DE SÃO JOÃO
O BOM PASTOR
O CANAL E A PONTE
O FAROL
PAISAGEM ARREDORES DE SÃO PAULO

RETRATO DE MARIO
AS MARGARIDAS MÁRIO
RETRATO DE MOÇA PAULISTA
SALETA DE DESCANSO
SAMBA
VENEZA CANALETO

 Anita Malfatti 



 Anita Malfatti (1889-1964)
Anita Catarina Malfatti nasceu em São Paulo no final do século XIX, no dia 2 de dezembro do ano de 1889. Ela viveu sem grandes problemas financeiros até o final da adolescência, quando morreu o seu pai italiano. A mãe, americana, mulher culta e dedicada a pintura, foi responsável pela sua educação e passou a trabalhar nessa ocasião. Anita começou a dar aulas para ajudar no orçamento. Apesar dessas dificuldades, conseguiu ir para a Alemanha estudar arte, presente de um tio e do seu padrinho. Teve contato com grandes nomes da pintura e depois seguiu para os Estados Unidos. Fazia sucesso e era reconhecida no exterior quando resolveu voltar para o Brasil. Fez uma primeira exposição e já era bastante conhecida quando preparou a segunda, em 1917, que a tornou imediatamente famosa. Mas não foi da maneira como desejava.
A exposição de 1917 recebeu uma crítica violenta de Monteiro Lobato, nome extremamente prestigiado já naquela época. Monteiro Lobato gozava da fama de homem amoroso, contador de histórias e criador de muitos personagens infantis.

Lobato nem sequer foi à exposição de Anita, mas disparou contra o modernismo e descarregou em cima da artista toda a violência de suas palavras. Durante o seu período no exterior, ela havia quebrado as amarras com as normas vigentes da pintura clássica e abandonado os padrões tradicionais, pintando com liberdade de pensamento e sentimento. Na exposição de 1917, Anita mostrou toda a influência do cubismo e da modernidade trazida da Europa e Estados Unidos. Foi disso que Lobato não gostou.

A crítica de Monteiro Lobato foi uma coisa pessoal do autor contra o grupo modernista e Anita foi usada nesse processo. O artigo foi preconceituoso, irracional e irresponsável, mas o prestígio do escritor era muito grande e Anita saiu machucada e seriamente ferida do episódio. Afastou-se da arte por um tempo e só aos poucos voltou a estudar a pintura clássica. Uma viagem a Paris ajudou-a a recuperar-se e acabou participando da Semana de Arte Moderna de 1922.

Esse tipo de comportamento não é absolutamente raro e temos visto críticos e curadores dispostos a destruir uma carreira arrasando um artista iniciante Talvez sintam necessidade de mostrar o poder de suas palavras ou a força de sua opinião. Vaidade? Arrogância? Idiotice? Seja o que for, esse tipo de crítica violenta e radical pode ser extremamente prejudicial sem contribuir com nada. É claro que a exposição do artista está sujeita a críticas, mas nenhum de nós é dono da verdade e temos o direito de concordar ou discordar, mas nunca de classificar um artista como "paranóico" ou como "furúnculo da cultura" e seu trabalho como "produto do cansaço e da decadência". Era a luta de um peso pesado contra uma jovem insegura e inexperiente. O efeito foi arrasador

Ela tornou-se grande amiga de Tarsila do Amaral e mantinha uma paixão platônica por Mário de Andrade.

A arte de Anita Malfatti pode parecer bem inserida no contexto do nosso tempo, mas já foi revolucionária, mesmo em um momento onde muitas revoluções artísticas estavam acontecendo simultaneamente. O cubismo, de Picasso e seus muitos parceiros, é apenas um exemplo. O movimento antropofágico, que visava desmoralizar as proporções clássicas da pintura tradicional, o futurismo, surrealismo, tudo isso e muito mais, provocou o que talvez tenha sido o período mais revolucionário da arte em todo o mundo. Anita aderiu a esse movimento de mudança. Lobato antepôs-se a ele e vez valer a força das suas palavras de hábil escritor. Mas não pode, obviamente, parar o tempo e se pudesse observar o mundo como ele é hoje, ficaria surpreso como as suas palavras soam preconceituosas e despropositais.

Para Mário de Andrade, outro expoente do modernismo brasileiro: "foi ela, foram os seus quadros, que nos deram uma primeira consciência de revolta e de coletividade em luta pela modernização das artes brasileiras."

Considerações:

Todos aqueles conceitos inovadores, tão criticados por Lobato, ganharam força ampliaram seu espaço na arte brasileira. E Anita demonstrava na sua obra este desejo, de questionar a arte tradicional, as cores padronizadas pelas escolas clássicas, de romper com conceitos pré-estabelecidos, com as proporções que eram impostas pelos padrões artísticos do momento.
Em contato com suas obras, percebe-se que o talento de Anita é indiscutível e o próprio Lobato reconhecia. As suas paisagens transmitem um maremoto de sentimentos. Você se sente na cena e percebe como a artista amava aquilo. Os retratos são pura emoção. Tarsila, amiga de Anita ao longo da maior parte da vida, também é pintada por Anita demonstrando todo o carinho que sentia pela amiga.
O que definiria, na minha opinião, toda sua obra é uma única palavra: EMOÇÃO. O amor pela arte, pelo inovador, pelo mutável, pela transformação, embora seja uma pintura simples, de fácil compreensão, transmitindo ao espectador uma certa ingenuidade, uma pureza, muitas vezes não compreendida por tantos críticos que não se deixam influenciar pela emoção.

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